17/2/2009

Carnaval já começou e com muita alegria em Sergipe e Olinda

Em Néopolis (SE), tradição é dos bonecões e do mela-mela, mistura de farinha de trigo, água e corante. No Recife, o maracatu pede proteção para o carnaval.


A terra do frevo em Sergipe fica às margens do Velho Chico. É Néopolis, que nessa época do ano, já tem boneco gigante pronto para a folia. O estudante Tadeu Gomes, o único bonequeiro da região, trabalha dia e noite pra dar conta das muitas encomendas. "Falar em número fica difícil, porque eu já perdi as contas", afirma.

Nas ruas, a orquestra dá o tom, e os bonecos seguem na comissão de frente, conduzindo os blocos.

O carnaval em Néopolis começa bem antes da data oficial. É assim há muitos anos e sempre com o mesmo bloco abrindo a festa: o Zé Pereira. Quando ele aponta, a cidade se transforma.

Uma multidão lota as ruas. “Eu tenho que me fantasiar todo ano, senão não estou no frevo em Néopolis", conta o estudante William Norato.

Tem a velha tradição do mela-mela. Para entrar na dança, tem que se sujar . “Eu adoro o frevo. Adoro mela-mela. O melhor do carnaval é isso: o mela-mela", comenta a estudante Michele Gomes.

Farinha de trigo, água e corante - ninguém escapa dessa mistura. "Eu tentei escapar, mas não consegui", diz a estudante Jéssica Santos.

“Eu adoro. Eu gosto, porque isso é o carnaval de Sergipe", declara a estudante Cristina Vieira Santos.

 

Em Olinda, Maracatus pedem proteção em cortejo

 

No Recife, o som do carnaval é diferente. Os tambores do maracatu são silenciosos e fazem a festa na cidade. De raízes africanas, o maracatu era a forma dos escravos celebrarem a coroação dos reis negros. Há cinco anos, o cortejo enche de cor as ladeiras da cidade-patrimônio.

No ritual, os integrantes dos maracatus pedem proteção para cada nação se manter unida e forte e pedem também paz para o carnaval.

Os cerca de 500 batuqueiros chegam à Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. É com a bênção da Igreja Católica que eles entoam as loas - músicas tradicionais de cada nação.

Em seguida, começa a oração, feita em dialeto africano. O momento emociona. “Sempre que posso, faço o maior esforço. Vim receber esse axé para voltar para a França”, diz a professora de dança Ana de Oliva.


Fonte: www.g1.com.br