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Carnaval de Salvador mistura sons e descobre novas batidas
Quando se fala em Bahia, logo se pensa no trio elétrico. Mas o carnaval não é só isso. Tem também a batida dos tambores que trazem a África para o Brasil.Não há rua sem tambor, nem morador sem ritmo. A batida parece que já nasce com eles, herdeiros e seguidores da Timbalada. “Tem batida difícil sim. A mais difícil é o frevo”, revela Ricardo, de 15 anos.
Além de estudante do Ensino Médio, Ricardo é percussionista mirim, dedicado e apaixonado por música. “Eu durmo pensando em música e acordo pensando em música, fazendo barulho, batendo no corpo e cantando. Quando eu crescer quero ser um bom músico. Vou ser igual ao Carlinhos Brown. Ele é meu ídolo”, revela o jovem.
O percussionista é ídolo dele e do todo o povo do Candeal. Uma das áreas mais pobres de Salvador nunca mais foi a mesma depois de Carlinhos Brown. O filho mais ilustre deu identidade aos timbaleiros e reconhecimento ao bairro.
Quando se fala em Candeal, vem logo a lembrança do carnaval. E não é sem motivo, porque esse bairro é uma usina de criatividade musical. Muitos dos ritmos da folia baiana moram no local.
Timbaus, tambores e agogôs - como autênticos descendentes da Timbalada, eles misturam os sons e descobrem novas batidas.
Um movimento musical inventado pelo cacique dos timbaleiros foi batizado com o nome de zárabe. Para o pai do movimento, o cantor e compositor Carlinhos Brown, o Zárabe não é só um laboratório de percussão, é também mais um caminho para jovens que viviam sem esperança.
"O que nos cabe como educadores? É buscar, em um momento em que o mundo é tão conturbado, em que as pessoas não se entendem, proteger o máximo a adolescência, proteger o máximo as crianças e proteger o máximo os idosos. Então, a música é essa ferramenta", afirma.
No circuito do carnaval, timbaleiros e percussionistas do Zárabe comandam alguns dos momentos mais empolgantes da festa: os arrastões da folia.
Em outro bairro, também entre os mais pobres de Salvador, o som do candomblé projetou um dos blocos mais admirados do carnaval. O Curuzu é território do Ilê Ayê.
Mãe Hilda, de 87 anos, não imaginava que uma simples brincadeira do filho fosse tão longe. "Ele estava andando no colégio e sempre dizia: ‘mãe, a gente vai fazer um bloco de negros’. E eu dizia: ‘faça’", conta.
Até hoje, a mãe-de-santo se enche de orgulho, principalmente quando vê o som do seu terreiro ganhar as ruas de Salvador. "Hoje, quando eu vejo o bloco saindo, eu só tenho de agradecer aos orixás e ver todo mundo ali em um corpo só, defendendo sua raça", declara Hilda.
Para três noites de desfile, é preciso um ano inteiro de preparação. É preciso ensaiar cada ritmo, cada passo e cada coreografia. O Ilê Ayê carrega a responsabilidade de exibir, no circuito, o charme da dança e a beleza do negro baiano.
De tão belas, as mulheres do Curuzu ganham status de rainhas e princesas. Quando entram na Avenida, o carnaval para só para ver o Ilê passar.
Fonte: www.g1.com.br












